BREXIT: Acordo para comércio livre na área financeira rejeitado

Um acordo para o comércio livre dos serviços financeiros foi rejeitado por Bruxelas, deitando por terra um dos principais objectivos do Governo britânico, que pretendiam o acesso total de Londres, um dos maiores centros financeiros ao nível mundial, ao mercado da União Europeia.

Segundo a agência Reuters, as reuniões nas últimas semanas entre responsáveis da União Europeia e os responsáveis financeiros no Reino Unido descartaram qualquer hipótese de um acordo pós-Brexit para o livre acesso aos mercados, uma vez que os britânicos demonstraram vontade de abandonar o Mercado Único Europeu.

A agência de notícias britânica cita dois responsáveis não identificados que marcaram presença nas negociações. O plano proposto previa que o Reino Unido e a União Europeia permitissem o comércio transfronteiriço mútuo de serviços financeiros, na prática, um “passaporte” em serviços financeiros para a city. A condição necessária seria a manutenção dos padrões regulatórios em conformidade com as melhores normas internacionais.

Este plano tinha sido delineado ao longo do último ano pelos responsáveis e foi apoiado por David Davis, o ministro britânico com a pasta do Brexit. No entanto, Bruxelas mostra-se reticente em quaisquer modelos de comércio que permitam ao Reino Unido manter níveis semelhantes de acesso ao mercado europeu, uma vez que o país decidiu abandonar o mercado único.

Os serviços financeiros que envolvem Bruxelas e Londres são um dos tópicos mais relevantes e sensíveis desde que se iniciaram as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia, que deverá ficar consumada até março de 2019. Por um lado, os britânicos tentam alcançar um acordo benéfico, ao mesmo tempo que os negociadores europeus se recusam a recuar na sua posição.

Bruxelas argumenta que o Reino Unido tomou a sua opção quando se autoexcluiu de outros acordos, nomeadamente ao que diz respeito à livre circulação de trabalhadores da União Europeia.

“Eles já deixaram muito claro que essa é uma situação inaceitável para eles. Esta era a nossa melhor proposta. Não temos um plano B”, disse à Reuters um dos responsáveis britânicos pela área financeira que esteve presente numa das reuniões.

A Comissão Europeia e a City of London Cooperation, responsável pela administração do distrito financeiro da capital britânica, ainda não fizeram qualquer comentário.

CENÁRIO NEGRO PARA LONDRES
Na iminência deste grande revés para o peso financeiro do Reino Unido, a Morgan Stanley, uma das principais empresas de serviços financeiros, prepara-se para decidir se vai transferir trabalhadores para outras capitais europeias como Frankfurt, Paris ou Dublin.

Em conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, Colm Kellertold, presidente da empresa, prometeu uma decisão já para o início deste ano.

“Vamos tomar decisões no início deste ano. O que os políticos não entendem é que estamos a falar de pessoas”, considerou, em referência à decisão para saída do Reino Unido da União Europeia.

As notícias surgem quando a primeira-ministra britânica Theresa May visita oficialmente a China, acompanhada

por 50 líderes empresariais, incluindo os presidentes da construtora automóvel Jaguar Land Rover e da farmacêutica AstraZeneca.

A aposta forte nas relações sino-britânicas já se reflete ao nível das exportações, que subiram 60 por cento no ano passado por comparação a 2010. Antes de regressar a Londres, a primeira-ministra estará em Xangai, na sexta-feira, considerado um dos principais centros económicos e financeiro na Ásia. Isto depois de o ministro britânico das Finanças, Philiph Hammond, ter visitado Pequim em dezembro último.

Trata-se de uma operação de charme ao mais alto nível na tentativa de colmatar os impactos negativos provocados pelo Brexit. Na passada segunda-feira, um documento interno do Governo britânico, revelado pelo Buzzfeed, previa que o crescimento do Reino Unido nos próximos anos será sempre inferior ao crescimento que o país teria dentro da União Europeia.

Segundo este estudo sobre o impacto económico após a saída da União Europeia, o cenário de grande desaceleração do crescimento é o mais provável para os próximos anos, independentemente dos acordos comerciais que ainda estão por fechar entre Londres e Bruxelas. Downing Street desvaloriza estas conclusões e alega que o relatório está incompleto.

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