Brexit: Londres condiciona Bruxelas

 

Theresa May suaviza a sua mensagem para Bruxelas, mas mantém a intenção de abandonar o bloco europeu e negociar vários acordos com o maior mercado de negócios britânico. Acrescenta que a relação comercial entre Reino Unido e União Europeia tem de ser equilibrada e que as duas partes têm grandes responsabilidades na manutenção da paz na Irlanda do Norte.

As mensagens da primeira ministra foram claras e pragmáticas, no seu último discurso proferido em Londres. A chefe do executivo britânico mostrou-se confiante de que o Reino Unido pode sair do Brexit como uma nação mais forte e coesa e de que a saída do país da União Europeia marca um novo começo e uma nova relação entre ambos, benéfica para ambas as partes.

Avisa, contudo, que o Reino Unido sairá mais frágil e que, ao abandonar a Europa, tenha de abandonar muitas das regalias que agora detém. Mas como nação independente poderá ganhar outros mercados e acordos que, a prazo, a manterão como uma economia forte. Mesmo assim, quer manter uma forte união com a EU.

A governante britânica frisou que é importante que o Brexit não possa pôr em causa os progressos alcançados para a paz na Irlanda do Norte e afirmou que a Grã-Bretanha e a UE têm a responsabilidade conjunta de encontrar uma solução para evitar a criação de uma fronteira física entre as duas Irlandas.

Para isso, frisou a chefe do executivo, deseja criar uma nova relação comercial “justa” e “aberta”, que seja benéfica, equilibrada, para os dois lados. Theresa May frisou que é preciso um mecanismo de arbitragem independente para regular os vínculos comerciais que vão ser criados. E ressalvou que com o acordo final do “Brexit”, a jurisdição do Tribunal Europeu de Justiça sobre território britânico tem de terminar.

A primeira ministra afirmou também que, no futuro, quer negociar com os “amigos” europeus novos acordos, o que não significa que Reino Unido e União Europeia se tenham de reger pelas mesmas leis para atingirem os mesmos resultados.

O Reino Unido negociará com Bruxelas uma forma de continuar associado a agências europeias como a dos medicamentos (EMA), a Agência Química Europeia e a Agência Europeia de Segurança na Aviação após o “Brexit”, mesmo que para isso tenha de contribuir para as organizações europeias que venha a fazer parte.

De Bruxelas já veio o ‘recado’ da necessidade de detalhes concretos sobre as “entre-linhas” do discurso de Theresa May e que espera que a documentação enviada a Bruxelas esteja sintonizada com a o tom “afável e de cooperação”, que se pressupõe das suas palavras.

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