“Brexit percorre caminho de mentiras” – Shamir Sanni, activista pro-Brexit

A campanha ‘Sim’ pro-Brexit  infrigiu a lei eleitoral durante a campanha do Brexit, excedendo os limites de gastos legais, afirmou um activista da própria campanha a favor da saída do Reino Unido da União Europeia.

Shahmir Sanni afirmou ao ‘Channel 4 News’ que a campanha oficial do Brexit usou um grupo diferente, o ‘BeLeave’, para ultrapassar as despesas de campanha autorizadas por lei.

O responsável pela doação da campanha, Dominic Cummings, negou a alegação e disse ter verificado com a Comissão Eleitoral antes de doar dinheiro para o grupo.

“Eu sei que o eleitorado foi enganado …” disse Sanni, “Eu sei que as pessoas foram enganadas e que o referendo foi ilegal”, disse Sanni ao Channel 4 News.

“Concordo em deixar a União Europeia” continuou o activista, mas “não concordo por em causa o significado de ser britânico neste processo; perder o que significa seguir as regras; perder o que significa sermos uma democracia funcional”.

Depois destas declarações à estação televisiva britânica, a Comissão Eleitoral já está a investigar se a campanha pro-Brexit gastou mais do que tinha direito no referendo.

O secretário do Brexit, David Davis, considerou as alegações “absolutamente ridículas” e explicou à BBC que o trabalho da comissão, e não dos ministros, é julgar, Boris Johnson enquanto líder do voto a favor do Brexit.

À mesma estação, Tom Watson, do Partido Trabalhista, disse que “se necessário” o caso deve ser investigado pela polícia.

Segundo declarações de Sanni ao jornal ‘Observer’, a campanha do ‘Sim’ doou £ 625.000 ao fundador da ‘BeLeave’, Darren Grimes, antes do referendo de junho de 2016, que alegadamente gastou essa quantia na campanha pro-Brexit. Assim, teria ultrapassado o seu limite de gastos de campanha dos £7 milhões, escondendo e gastando o dinheiro através da ‘Beleave’.

Sanni explicou que Darren Grimes não estava no controle das despesas do valor atrás mencionado e tudo passava pelo director de campanha Parkinson – que é agora o secretário político da primeira ministra.

Falando ao jornal ‘Observer’, o activista afirma que a maior parte da doação foi paga à empresa de dados canadense Aggregate IQ, que tem sido vinculada à Cambridge Analytica – a empresa que acumulou os dados de milhões de pessoas sem o seu consentimento.

Sanni disse que ele e dois outros amigos pró-Brexit relataram a alegação de gastos excessivos à Comissão Eleitoral na quinta-feira. “Com efeito, eles (pro-Brexit) usaram a ‘BeLeave’ para gastar mais e não apenas uma pequena quantia … Quase dois terços de um milhão de libras e isso não é legal”,  diz o activista que trabalhou como voluntário para esta empresa.

Falando no programa The World This Weekend, da BBC Radio 4, Sanni disse que seus advogados apresentarão “recomendações aos parlamentares” numa conferência de imprensa em Londres.

Acrescentou também que a campanha pro-Brexit gastou separadamente 2,7 milhões de libras esterlinas nos serviços da AIQ no período que antecedeu o referendo na UE.

“Estamos percorrendo um caminho de Brexit baseado em mentiras, embuste, essencialmente numa fraude” acusa o activista voluntário da campanha pro-Brexit , em resposta ao secretário político do PM que nega as alegações e “deixa” no ar a reacção  homossexual do acusador.

Numa declaração, publicada no blog de Cummings na sexta-feira, Parkinson diz que namorou Sanni por 18 meses, antes de se separar em setembro de 2017.

“Foi nessa capacidade na qual dei conselhos e encorajamento a Shahmir e posso entender que a leitura dos acontecimentos se tenha tornado obscura para ele, mas estou certo que não dirigi quaisquer atividades de um grupo de campanha (pro-Brexit) em separado”, disse ele.

Contactado pelo programa da BBC ‘Channel 4’, Darren Grimes negou as acusações. Um advogado da campanha pro-Brexit disse ao mesmo programa que a campanha havia sido esclarecida duas vezes sobre a questão pela Comissão Eleitoral.

No entanto a Comissão Eleitoral ter “uma série de investigações abertas em relação aos ativistas no referendo da UE; mas não faz comentários sobre investigações ao vivo”.

Para já as investigações continuam e vários deputados conservadores pedem a demissão de Stephen Parkinson, secretário político de Theresa May.

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