Por que se conduz do lado esquerdo no Reino Unido (e noutros 55 países do Mundo)?

Guiar pelo lado esquerdo é, no Reino Unido, um facto histórico herdado do tempo dos Romanos, que esteve para mudar em 1969, mas a ideia acabou por ser posta de lado por motivos de custos e segurança. E assim o Reino Unido e 55 outros países mantiveram esta ‘esquisitice’ pela estradas fora que, para muitos, poderá não ter motivo de ser… mas que os britânicos mantêm.

Por isso fomos saber as razões pelas quais se conduz do lado esquerdo no Reino Unido.

Parece que nem os britânicos na maioria sabem porquê. “Fazem-me constantemente essa pergunta” dizem-nos muitos dos britânicos inquiridos, mas certo, CERTO, não sabem! A confusão é mais do que muita e, muitos turistas, assustam-se com esta peripécia e arte de conduzir, ao contrário. Será apenas para marcar a diferença? Complexo de superioridade? Teimosia? Ou apenas porque nasceram ‘canhotos’!

Nada disso. Aliás, guiar à esquerda não é um exclusivo do Reino Unido. Outros 55 países na Ásia, África, Europa, Oceania e nas Américas, segundo um estudo sobre “Caminhos do Mundo: A História das estradas e dos veículos que as usam por esse Mundo fora”, também conduzem pela esquerda.

Claro que na maioria, falamos das antigas colónias britânicas que, depois da independência, resolveram manter a circulação do trânsito pelo lado esquerdo.

Mesmo quando, segundo um estudo da Universidade de Frankfurt, na Alemanha, um quarto das estradas, em todo o Mundo, foram construídas para carros com o volante do lado direito.

Mas então porquê esta insistência britânica e de onde vem esta antiga tradição?

Dizem alguns entendidos, entre os quais Stephen Laing, curador do ‘British Motor Museum’, que possui a maior colecção de carros históricos britânicos, tem a ver com a defesa que, no passado longínquo, daria a possibilidade de não baixar a guarda porque a arma de defesa poderia ser empunhada do lado (mão) direito!

Explica Laing que noutros tempos “a maioria das pessoas eram dextras, cavalgavam com a mão esquerda e usavam a mão direita para lutar”. Por essa razão os romanos optaram por circular pelo lado esquerdo das vias, isto é caminhos… pela mesma razão, o curador britânico justifica que o hábito “remonta aos tempos da Roma Antiga”.

“Os exércitos romanos, por exemplo, marchavam pela estrada do lado esquerdo e essa é a convenção que permaneceu”, acrescenta.

Com o desenvolvimento urbano, os cavalos e as carruagens continuaram a transitar do lado esquerdo. Quando os carros apareceram, eram considerados carruagens sem cavalos, então também passaram a circular no lado esquerdo.

Giles Chapman, que escreve sobre automóveis, diz que o ‘British Roads Act’ de 1835 (uma espécie de Código de Trânsito) estabeleceu por lei que se guiava do lado esquerdo no Reino Unido e nas suas colónias.

“A regra foi exportada, por exemplo, para o Japão, onde os engenheiros britânicos projectaram as ferrovias do país para que fossem conduzidas pela esquerda, o que levou ao estabelecimento de uma regra semelhante para os veículos que circulavam nas estradas”, explica.

Mas a invasão romana foi exclusiva das ilhas britânicas? Então, porque é que outros países conduzem pelo lado direito das estradas?

Segundo se sabe, no final de 1700, a maior parte do mundo também guiava do lado esquerdo. Pessoas tradicionalmente ricas conduziam as suas carruagens do lado esquerdo. Mas com a chegada da Revolução Francesa, muitos deles passaram a misturar-se com as classes mais baixas e começaram a guiar no centro ou do lado direito.

Mais tarde muitos dos países da Europa acabaram por seguir o exemplo da França.

Esse também foi o caso dos Estados Unidos que, embora colonizados pelos britânicos, não conduzem do lado esquerdo. Ainda no século 18, as carroças puxadas por vários pares de cavalos começaram a ganhar popularidade na então colónia britânica (USA), explica o escritor Fraser McAlpine, especialista em cultura popular. Não havia assento para o condutor, que se sentava no último cavalo do lado esquerdo, uma vez que habitualmente segurava o chicote com a mão direita. Além disso, por estar sentado à esquerda, naturalmente preferia que as outras carroças passassem por esse lado de forma a garantir uma distância segura entre as rodas das carroças que vinham no sentido contrário. Transitar pelo lado direito da estrada era a única solução.

Assim se justifica, historicamente, esta ‘rivalidade’ do tráfego pelo Mundo fora.

Mas já pensou a Grã-Bretanha conduzir do lado direito?

Como dissemos o governo britânico avaliou essa possibilidade em 1969, dois anos depois da Suécia passar a conduzir do lado direito. Mas a ideia acabou rejeitada por motivos de custos e de segurança. Naquele ano, o custo da mudança foi calculado pelo governo em 264 milhões de libras.

Actualmente, esse valor equivaleria a 4 biliões de libras. Trata-se, porém, de uma estimativa conservadora, considerando os grandes avanços na infraestrutura rodoviária desde 1969.

Stephen Laing é de opinião que não é possível imaginar-se actualmente uma mudança desse tipo.

“Acredito que estabelecemos as nossas regras a ferro e fogo”, diz ele. “Toda a nossa infraestrutura foi construída pensando na condução pelo lado esquerdo; não acredito em qualquer mudança no futuro”.

Contactado sobre o assunto, o Departamento de Transportes do Reino Unido informou que “não temos uma política a respeito disso, porque é algo em que não estamos interessados neste momento”.

Mais uma vez a História e a tradição impõem-se sobre a praticabilidade e o modelo da sociedade moderna. Uns são pela esquerda, outros pela direita, numa certeza, porém, que, neste caso, pelo centro seria impensável, mas possível em certos países cuja definição arbitral de extremos, ou bermas, é impraticável, ou apenas de difícil compreensão. Todos ao molho e fé em Deus!

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