Rússia e EUA prontos a confrontarem-se militarmente

Donald Trump advertiu a Rússia, num ‘tweet’ incendiário, para “se preparar” contra ataques de mísseis norte-americanos na Síria, depois de uma reunião do conselho de segurança da ONU não ter conseguido evitar um ataque com armas químicas numa cidade nos arredores de Damasco, no passado fim de semana.

O embaixador russo no Líbano avisou o EUA que a Rússia estava preparada para retaliar quaisquer ataques de mísseis norte-americanos na Síria.

Em resposta Trump twettou que “a Rússia promete derrubar todos e quaisquer mísseis lançados contra a Síria, Mas prepare-se, porque eles virão, em condições, novos e inteligentes! Vocês não devem ser parceiros de um Animal que mata com gás o seu povo!”

O Kremlin disse aos EUA e seus aliados que um ataque militar contra a Síria poderia levar a mais instabilidade na região.

Respondendo ao tweet de Trump, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, que “os mísseis inteligentes devem ser lançados contra os terroristas, e não contra um governo legítimo que combate há vários anos o terrorismo internacional no seu território”.

Acrescentou também que os mísseis “inteligentes” dos EUA poderiam destruir a evidência do ataque suspeito de armas químicas.

A Rússia e os aliados ocidentais não conseguiram entender-se numa resposta internacional concertada contra o uso de armas químicas, numa reunião na ONU na noite da passada terça-feira.

Os EUA, o Reino Unido e a França continuam a prepararem-se para acções militares destinadas a punir o governo de Bashar al-Assad, que, segundo eles, é o responsável por um ataque a Douma em 7 de Abril passado, que matou mais de 45 pessoas.

A Rússia afirmou, anteriormente, que não havia provas de um ataque químico em Douma, muito menos do envolvimento do governo sírio.

Uma hora depois de avisar a Rússia para “se preparar”, Trump pareceu contra-atacar noutro ‘tweet’, já num tom menos agressivo.

“O nosso relacionamento com a Rússia é pior agora do que nunca, e isso inclui a Guerra Fria. Não há razão para isso ”, diz nesta segunda comunicação. “A Rússia precisa de nós para ajudar a sua economia, algo que seria muito fácil concretizar, mas precisamos que todas as nações trabalhem juntas. Parem com esta corrida ao armamento!”

Antes, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, pediu moderação. “Em relação ao que poderia acontecer no caso de qualquer tipo de ataque, ainda queremos acreditar que todos os lados evitem este tipo de medidas, que primeiro não têm justificação real e segundo poderiam aumentar desestabilização, de maneira significativa, da já frágil situação na região”.

Só que depois destes comentários, as autoridades militares russas advertiram que derrubariam qualquer míssil americano e contra-atacariam plataformas de lançamento que fossem consideradas uma ameaça ao pessoal de serviço russo na Síria.

Um enviado de Moscovo ao Líbano também disse à imprensa local que os militares russos derrubariam mísseis que ameaçassem a Síria e que seus locais de lançamento seriam alvos a atingir, uma decisão que poderia desencadear uma guerra a grande escalada.

“A situação é tensa”, afirma Peskov, acrescentando que a Rússia pedia uma “investigação objectiva e sem preconceitos antes de se fazerem julgamentos” antecipados, sobre o uso suspeito de armas químicas.

Peskov afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, não tem planos para falar com os líderes dos EUA, França ou Reino Unido, que preparam a ofensiva.

Trump, Emmanuel Macron e Theresa May realizaram consultas por telefone. Mais tarde, Macron disse a repórteres em Paris que uma decisão seria tomada nos próximos dias após “trocas de informações técnicas e estratégicas com os nossos parceiros, em particular a Grã-Bretanha e a América”. Acrescentou que se os ataques aéreos fossem adiante, teriam como alvo instalações de armazenamento de químicos de guerra do governo sírio.

Macron fez estes comentários numa conferência de imprensa em Paris ao lado do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que ofereceu o apoio de seu país à ação militar liderada pelos EUA. “Se a aliança com nossos parceiros exigir isso, estaremos presentes”, disse o líder saudita ao concluir uma visita de três dias a Paris.

As crescentes tensões e o risco de um confronto entre as grandes potências são evidentes no leste do Mediterrâneo, onde os aviões de guerra russos sobrevoavam os navios americanos e franceses armados com mísseis de cruzeiro.

Os inspectores da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW) planeiam viajar para a Síria, depois do convite do governo de Assad, mas não ficou claro se eles teriam autorização para chegar a Douma, e se a presença deles poderia atrasar a acção militar liderada pelos EUA.

No caso do conflito militar vier a acontecer, a China, o grande aliado da Rússia, ainda não tomou posição.

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